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Clínica Neuroessentia / Conteúdos / Crise convulsiva única
Neurologia

Uma crise convulsiva pode acontecer uma única vez?

Sim, e nem toda crise significa epilepsia. Mas mesmo um episódio único merece atenção. Entenda o que pode provocar uma crise, o que fazer na hora e por que a avaliação neurológica é importante.

Revisão médica: Dr. Genilton Passos, neurologista · CRM-RS 45577 · RQE 34325
· 7 min de leitura

O que é uma crise convulsiva

Uma crise epiléptica acontece quando um grupo de neurônios produz uma descarga elétrica anormal e excessiva por alguns instantes. Dependendo da área do cérebro envolvida, ela pode causar movimentos involuntários (a convulsão propriamente dita), olhar fixo e desligamento do ambiente, perda de consciência, sensações estranhas ou confusão.

Depois de uma crise com perda de consciência, é comum a pessoa ficar sonolenta, confusa ou cansada por algum tempo.

Crise única não é o mesmo que epilepsia

Epilepsia é a tendência do cérebro a ter crises repetidas e sem um fator desencadeante imediato. Por isso, ter tido uma crise não basta, por si só, para o diagnóstico. Em geral, a epilepsia é considerada quando a pessoa tem duas ou mais crises sem causa imediata, ou uma crise com alto risco de se repetir, o que o neurologista avalia caso a caso.

Muitas crises são provocadas, ou seja, acontecem por uma causa pontual que, uma vez resolvida, pode não voltar a desencadear outra crise:

  • Febre alta em crianças pequenas (convulsão febril).
  • Alterações no sangue, como glicose muito baixa ou alterações de sódio.
  • Abstinência de álcool ou a suspensão brusca de alguns medicamentos.
  • Uso de drogas ou de algumas substâncias e medicamentos em doses altas.
  • Traumatismo craniano, AVC ou infecções que atingem o sistema nervoso, na fase aguda.

Também existem episódios que parecem uma crise convulsiva, mas têm outra origem, como o desmaio (síncope), que às vezes vem com alguns abalos breves. Diferenciar uma coisa da outra é uma das partes mais importantes da avaliação.

O que fazer durante uma crise

Faça
  • Mantenha a calma e marque o tempo da crise
  • Proteja a cabeça com algo macio
  • Afaste objetos que possam machucar
  • Afrouxe roupas apertadas no pescoço
  • Quando os movimentos pararem, vire a pessoa de lado
  • Fique junto até ela se recuperar
Não faça
  • Não coloque nada na boca da pessoa, nem os dedos
  • Não tente puxar a língua
  • Não segure os movimentos
  • Não ofereça água ou remédio até ela estar bem acordada
Ligue para o SAMU (192)

Se for a primeira crise, se durar mais de 5 minutos, se uma crise vier logo depois da outra sem a pessoa acordar, se houver dificuldade para respirar, ferimento, se acontecer na água ou em uma gestante.

Quando vale investigar

  • Primeira crise convulsiva
  • Perda de consciência, confusão ou queda
  • Episódio com movimentos involuntários ou olhar fixo
  • Crises recorrentes ou sinais neurológicos associados

Como é a avaliação depois de uma crise

A avaliação neurológica busca entender o contexto da crise: o que aconteceu antes, durante e depois, possíveis causas, histórico de saúde e familiar, medicamentos em uso e hábitos como sono e consumo de álcool. O exame neurológico completa essa análise.

Conforme o caso, o neurologista pode pedir exames de sangue, exames de imagem do cérebro e outros exames complementares. A partir desse conjunto, ele avalia o risco de novas crises e se há necessidade de tratamento ou só de acompanhamento.

Até a avaliação, converse com o médico antes de voltar a dirigir, nadar sozinho ou trabalhar em altura, já que uma nova crise nessas situações pode ser perigosa.

Como se preparar para a consulta

  • Leve quem presenciou a crise ou peça que a pessoa escreva o que viu. Quem teve a crise geralmente não se lembra.
  • Se houver vídeo, mesmo que curto, ele ajuda muito.
  • Anote o que aconteceu antes: noite mal dormida, febre, álcool, jejum prolongado, remédio novo ou suspenso.
  • Anote como foi depois: quanto tempo levou para voltar ao normal, se houve mordida na língua, perda de urina ou confusão.
  • Leve a lista dos medicamentos e os exames que já tiver feito, inclusive os do pronto atendimento.

Dúvidas frequentes

Quem teve uma crise vai ter outras?

Não necessariamente. Muitas pessoas têm uma única crise na vida. O risco de novas crises varia de acordo com a causa, o exame neurológico e os exames complementares, e é isso que a avaliação ajuda a estimar.

Depois da primeira crise é preciso tomar remédio?

Nem sempre. A decisão é individual e leva em conta a causa da crise, o risco de repetição e a rotina da pessoa. Ela deve ser tomada junto com o neurologista.

Convulsão por febre em criança é epilepsia?

Na maioria das vezes, não. A convulsão febril é relativamente comum em crianças pequenas e costuma ter boa evolução. Mesmo assim, a criança deve ser avaliada pelo pediatra ou pelo neurologista.

Desmaio e convulsão são a mesma coisa?

Não. O desmaio é uma perda breve de consciência, geralmente por queda da pressão ou da circulação no cérebro, e a recuperação costuma ser rápida. Às vezes ele vem com alguns abalos, o que pode ser confundido com uma crise. A avaliação ajuda a diferenciar os dois.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de crise, siga as orientações de primeiros socorros e procure atendimento.